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Julho 17, 2020

Joana Assunção

A Rua de Santa Catarina no coração da baixa do Porto, é uma rua especial. O que a compõe e transforma são as gentes da Invicta que por lá passam, pelos trabalhadores das várias lojas que por lá existem, pelos turistas que a descobrem, pelos artistas que nos dão um bocadinho de si (seja pela música, pelo desenho, pela dança entre outros).

No meio de toda esta vida existe um senhor igualmente especial, que também ele compõe esta rua. Este senhor adora conversar, é extremamente simpático, de uma cultura de se lhe tirar o chapéu, anda sempre lado a lado com a boa disposição e encara a vida com uma positividade que inspira!

Ele vive do artesanato de bijuteria que ele próprio faz e vende nesta rua há mais de quinze anos. Sempre que o sol brilha na bela cidade da Invicta, lá está ele a montar o seu carrinho logo pela manhã. Quando chove fica no armazém a fazer as bijus, mas não há dia que não passe pelas pessoas com quem simpatiza e não dê três dedos de conversa. Este senhor é uma espécie de formiga, mas ao contrário, trabalha de inverno no seu viveiro, para no verão estar mais à vontade a vender o seu ganha pão.

Com o boom do turismo vivido na cidade, viu o seu negócio dar-lhe frutos daqueles bons, no entanto com a chegada da pandemia teve que ficar em quarentena como tantos de nós e após esta situação surgiu-lhe uma notícia que o entristeceu: Quiseram alguns senhores capitalistas que os artesãos saíssem da rua de Santa Catarina e fossem deslocados para outra rua nas artérias da baixa, muito menos movimentada. Esta nova rua, não tem vida, não junta tantos turistas e fica escondida! A probabilidade deste senhor vir a perder rendimento é infelizmente elevada, já sem contar com o que perdeu desde o início da pandemia, quando a cidade parou!

Enquanto aguarda a autorização da licença e a nova barraquinha que lhe foi prometida para poder exercer a sua atividade profissional na rua para onde foi deslocado e estando impedido de vender na Rua de Santa Catarina, encontram no agora ainda nesta rua a tocar tambores africanos com a garra de um jovem de vinte anos, mesmo no meio do som da música dos artistas que alegram a rua, do barulho causado pelo congestionamento de pessoas e certamente contra a vontade dos tais capitalistas. Não é o dinheiro que recebe (ou não) que das pessoas que por ali passam e que apreciam o som dos tambores, é o estar ali na rua, na sua rua!

Diz-me em tom de riso: “ Aqui ao menos tenho-vos a vocês!” Por mais pessoas como este senhor no mundo! É urgente termos pessoas que nunca baixam os braços a nenhuma adversidade da vida e que mesmo contra a vontade de muitos continuam a batalhar por aquilo em que acreditam.

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