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Descomplica...

Transporta as tuas energias para o que realmente importa.

Descomplica...

Transporta as tuas energias para o que realmente importa.

Julho 27, 2020

Joana Assunção

Venho falar vos de ciclos…Os ciclos da vida!

A vida é feita de ciclos que se vão construindo e desconstruindo ao longo do nosso processo de crescimento enquanto pessoas. Desde que nascemos, percorrermos sem nos darmos conta caminhos infinitos ao longo da nossa vida que nos levam a determinados lugares e experiencias que fazem parte da nossa construção pessoal e nos transmitem bagagem (os chamados pilares da vida) para nos tornarmos diferentes uns dos outros. Ninguém é igual a ninguém, ainda que alguns tenham experiencias de vida idênticas, pois cada pessoa tem a sua história, o seu caminho.

Ao longo desse caminho vamos conhecendo pessoas que nos são mais ou menos importantes, mas que por algum propósito fizeram parte desse ciclo porque ali tinham que estar para nos levarem onde o destino nos queria levar, onde a vida quis que fossemos para nos tornarmos naquilo que somos hoje.

Muitas vezes sentimos nos tristes, frustrados, revoltados com situações menos boas em que a vida se encarrega de afastar do nosso caminho esta ou aquela pessoa que nos era especial…Nunca encarem isto como algo negativo, ainda que vos pareça a coisa mais absurda de se dizer neste momento (se estiverem a passar por algo menos bom), encarem como algo positivo. A vida está a dar vos a oportunidade de fechar um ciclo e de iniciar um novo! Existe algo melhor que estrear algo novo? Pensem na euforia que é visitar um pais diferente, de estrear uma peça de roupa nova, de sentir o cheiro de um livro novo… (coisas que eu gosto, podem adaptar ao vosso gosto), agora pensem na oportunidade que a vida vos está a dar de iniciar um novo ciclo! Um novo começo, uma nova vida, novas pessoas, novas risadas, novas energias, novos lugares…Tanta coisa nova para ser descoberta e vivida!

As pessoas que outrora vos foram especiais, vão sempre continuar a ser, nos vossos corações! As coisas boas nunca serão esquecidas, ficam para sempre num cantinho de recordações no nosso coração. Pensem naquela gaveta que de vez em quando abrirmos, espreitamos e voilá encontramos aquele objeto de que gostávamos tanto, mas acabamos por o substituir por outro, mas que ainda assim nos trás boas energias pois outrora foi tão importante para nós. Com as pessoas especiais é exatamente igual.

Em momento algum alimentem sentimentos maus! Deixem ir, tal e qual como deixaram entrar nas vossas vidas. Deixem a vida fazer a sua parte, traçar o vosso destino. Agradeçam a Deus, à vida, ao que quiserem, mas agradeçam! Pelos ensinamentos que essa pessoa e o ciclo que viveram juntas se ter realizado! Sejam gratos por o destino a ter colocado no vosso caminho e por todos os momentos que partilharam juntas, encarem os bons como recordações que vos transmitem felicidade e os maus como ensinamentos que vos tornaram na pessoa que são hoje!

Tudo tem um propósito e os caminhos da vida levam-nos a ciclos maravilhosos cheios de luz. Cabe a cada um de nós escolher a cor que quer para essa luz…Escolham várias! Por um mundo colorido, cheio de amor. Permitam-se viver esta vida cheia de luz onde se constroem e desconstroem a vocês próprios, dando sempre o melhor de vós da forma como conseguirem e acharem mais correta, mas permitam-se dar-vos aos outros e aceitem a dádiva que os outros vos querem oferecer.

Sejam felizes e descompliquem sff! A vida é tão fácil de ser vivida…!

Julho 17, 2020

Joana Assunção

A Rua de Santa Catarina no coração da baixa do Porto, é uma rua especial. O que a compõe e transforma são as gentes da Invicta que por lá passam, pelos trabalhadores das várias lojas que por lá existem, pelos turistas que a descobrem, pelos artistas que nos dão um bocadinho de si (seja pela música, pelo desenho, pela dança entre outros).

No meio de toda esta vida existe um senhor igualmente especial, que também ele compõe esta rua. Este senhor adora conversar, é extremamente simpático, de uma cultura de se lhe tirar o chapéu, anda sempre lado a lado com a boa disposição e encara a vida com uma positividade que inspira!

Ele vive do artesanato de bijuteria que ele próprio faz e vende nesta rua há mais de quinze anos. Sempre que o sol brilha na bela cidade da Invicta, lá está ele a montar o seu carrinho logo pela manhã. Quando chove fica no armazém a fazer as bijus, mas não há dia que não passe pelas pessoas com quem simpatiza e não dê três dedos de conversa. Este senhor é uma espécie de formiga, mas ao contrário, trabalha de inverno no seu viveiro, para no verão estar mais à vontade a vender o seu ganha pão.

Com o boom do turismo vivido na cidade, viu o seu negócio dar-lhe frutos daqueles bons, no entanto com a chegada da pandemia teve que ficar em quarentena como tantos de nós e após esta situação surgiu-lhe uma notícia que o entristeceu: Quiseram alguns senhores capitalistas que os artesãos saíssem da rua de Santa Catarina e fossem deslocados para outra rua nas artérias da baixa, muito menos movimentada. Esta nova rua, não tem vida, não junta tantos turistas e fica escondida! A probabilidade deste senhor vir a perder rendimento é infelizmente elevada, já sem contar com o que perdeu desde o início da pandemia, quando a cidade parou!

Enquanto aguarda a autorização da licença e a nova barraquinha que lhe foi prometida para poder exercer a sua atividade profissional na rua para onde foi deslocado e estando impedido de vender na Rua de Santa Catarina, encontram no agora ainda nesta rua a tocar tambores africanos com a garra de um jovem de vinte anos, mesmo no meio do som da música dos artistas que alegram a rua, do barulho causado pelo congestionamento de pessoas e certamente contra a vontade dos tais capitalistas. Não é o dinheiro que recebe (ou não) que das pessoas que por ali passam e que apreciam o som dos tambores, é o estar ali na rua, na sua rua!

Diz-me em tom de riso: “ Aqui ao menos tenho-vos a vocês!” Por mais pessoas como este senhor no mundo! É urgente termos pessoas que nunca baixam os braços a nenhuma adversidade da vida e que mesmo contra a vontade de muitos continuam a batalhar por aquilo em que acreditam.

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